Senai SC aposta em microusinagem

Senai SC aposta em microusinagem

Equipamentos cada vez menores e mais leves trazem vantagens competitivas para setores como eletroeletrônica ou medicina.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) estão alertas sobre as oportunidades surgidas para aumentar as atividades exercidas pelas ferramentarias daquele Estado, mais especificamente para a produção de micromoldes. A proposta de ambas as instituições é ampliar a oferta de serviços que podem ser prestados e introduzir conceitos de inovação para a indústria catarinense.

A microusinagem possibilita a construção de  moldes de tamanhos na ordem de 2 ou 3 milímetros que são  usados na fabricação de peças de 1 milímetro,  exigindo máquinas, ferramentas e ligas especiais, além de profissionais altamente qualificados e para atingir este objetivo, as ferramentarias deverão ganhar capacidade.

Equipamentos cada vez menores e mais leves trazem vantagens competitivas para setores como eletroeletrônica ou medicina. A produção dessas peças exige uma sofisticação na produção de seus componentes, também minúsculos e que são fabricados a partir de micromoldes. É dessa forma que a microusinagem se transforma em um potencial campo de atuação para o setor de ferramentarias.

E para aumentar o leque de serviços, com a introdução de micromoldes na oferta de pedidos, o Senai-SC e a Fiesc também estão preocupados em transmitir informações sobre as máquinas-ferramenta que realizam esse processo, sobre ferramentas de corte dedicadas e matérias-primas específicas para esse tipo de peça. Sem falar, é claro, de toda a tecnologia envolvida na microusinagem, que ainda é novidade para muitas prestadoras de serviços.

Antes de induzir a criação dessa atividade alternativa, o Senai realizou estudo de mercado para analisar as condições atuais da indústria da região e as tendências em tecnologia. Segundo a diretora da unidade de JoinvilleHildegarde Schlupp, a produção metalmecânica do Estado ainda está muito focada no setor automobilístico, mas com os micromoldes será possível estender o atendimento para as áreas de telecomunicações, médica e eletroeletrônica, entre outros potenciais.

De acordo com o diretor regional do Senai-SC, Sérgio Roberto Arruda, ainda não há pedidos para a usinagem de micromoldes na região, mas ele julga que essa será uma grande aposta. Por isso, está atualmente em processo de licitação a compra de uma máquina-ferramenta com cinco eixos de movimentação e precisão na ordem de 30 nm, para operações de microfresamento. “Ela será capaz de fazer um furo em um fio de cabelo”, ilustra Arruda. O Senai Cimatec da Bahia também vai investir na aquisição de uma máquina idêntica, muito provavelmente alemã, avaliada em cerca de R$ 2,5 milhões.

Para a diretora do Senai de Joinville, a aquisição permitirá que a escola trabalhe juntamente com a empresa para o desenvolvimento dessa capacitação. De acordo com Hildegarde, o “Senai não prestará nenhum tipo de serviço que possa competir com a indústria. A idéia é atuar com inovação e pesquisa aplicada, dar todo apoio na questão da metrologia e direcionar e estimular as empresas a se tornarem mais competitivas”.

Com essa meta em vista, o Senai-SC criou recentemente parcerias com o Instituto Fraunhofer da Alemanha e com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITASão José dos Campos, SP). O objetivo é capacitar o Senai para disseminar o conhecimento a todas ferramentarias da região. Uma ação conjunta entre profissionais envolvidos deverá induzir o surgimento de um novo segmento produtivo.
Segundo o empresário Christian Dihlmann, o primeiro presidente da recentemente criada Associação Brasileira de Indústrias de Ferramentais, “ Joinville tem atualmente cerca de 400 ferramentarias, que geram mais de quatro mil empregos”.

As empresas localizadas no Estado de Santa Catarina interessadas em receber treinamento, ou até mesmo mais informações sobre essa área de produção, podem entrar em contato com o Senai Joinville pelo telefone (47) 3441-7703. O Senai-SC está aberto para discutir de forma colaborativa os projetos de confecção de micromoldes.

Para o pesquisador do Departamento de Tecnologia de Processos do Instituto Fraunhofer de Tecnologia da Produção (IPT), Benedikt Gellissen, parceiro do Senai no desenvolvimento desse projeto de ampliação dos serviços de ferramentaria na região, toda a cadeia de produção precisa ser repensada. “Não é apenas diminuir o tamanho do molde, mas sim mudar tudo o que está envolvido no processo. Inclusive pensar em como fazer o controle dimensional das micropeças”. Segundo o pesquisador, geralmente os sistemas de medição para toda a superfície do micromolde apresentam soluções ópticas. Ou seja, não há contato com a peça.

A realização da microusinagem envolve processos de fresamento, torneamento e eletroerosão. Ainda se aplica a esse quadro de fabricação a usinagem a Laser, porém, de acordo com o chefe do Departamento de Materiais do Fraunhofer, Kristian Arntz, esta tecnologia ainda demora para ser introduzida nas ferramentarias, por uma questão de adaptação e melhoria de processo.

Gellissen lista como usuários potenciais de micromoldes os fabricantes de sensores, elementos ópticos, acessórios usados na biotecnologia e microchips. Ambos os pesquisadores do Instituto Fraunhofer apresentaram ao Senai diferentes tipos de micromoldes que poderão, em um futuro próximo, também serem confeccionados pelas ferramentarias catarinenses.

Um dos exemplos citados é para a produção de uma bomba de fluxo de sangue utilizada para o tratamento de doenças do coração. A peça acabada, feita de Peek, Poliféter-éter-cetanal, pode ter diâmetro de 4 a 6,4 mm e comprimento de 3,5 a 7,7 mm, para o bombeamento de cerca de 4,5 L de sangue por minuto.

Todos esses projetos envolvendo o setor de ferramentaria do Estado de Santa Catarina fazem parte do programa de atendimento empresarial intitulado Senai Mais Competitividade. Criado pelo Senai-SC, a iniciativa visa capacitar profissionais e promover o desenvolvimento tecnológico da indústria do Estado. Umas das metas do programa é aumentar o número de matrículas em educação profissional, de 85 mil em 2010, para 171 mil até 2014.

O programa também pretende estimular a criação de produtos inovadores e ampliar os valores de exportação. A proposta é produzir mais tecnologia, aumentar o número de registros de patentes e, assim, agregar valor aos produtos exportados. A indução do desenvolvimento tecnológico é uma ação que integra o Programa SENAI Mais Competitividade,que prevê ainda a implantação de centros de referência focados nas vocações industriais de cada região do Estado

 Fonte: Revista Portuária – Portal do Moldes.

Sobre a Delara

Fundada no ano de 1998, a DELARA atua em diversos segmentos da área industrial desenvolvendo e fabricando dispositivos, partes e peças para máquinas. Atua também no desenvolvimento de soluções em Micro Usinagem, contando com uma linha própria de 75 produtos de instrumentação médica.

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